30 set 2026 - 04h57

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Retatrutida promete nova geração de tratamento para obesidade e diabetes

Foto: Freepik

Um novo medicamento experimental para obesidade e diabetes tipo 2 apresentou resultados expressivos em um estudo clínico de fase 3. A retatrutida, desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly, mesma fabricante do Mounjaro, levou a perdas significativas de peso e também ajudou a reduzir os níveis de glicose no sangue entre os participantes do estudo TRIUMPH-2.

Os resultados foram apresentados na 62ª Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), em Milão, na Itália, e publicados simultaneamente na revista científica The Lancet. A pesquisa avaliou adultos com diabetes tipo 2 e obesidade ou sobrepeso. Os participantes receberam diferentes doses da retatrutida ou placebo durante 80 semanas.

Os resultados variaram de acordo com a quantidade utilizada. Quem recebeu 4 mg perdeu, em média, 13,5 quilos, o equivalente a 12,7% do peso corporal. Na dose de 9 mg, a redução média foi de 20,6 quilos, ou 19,1%. Já entre aqueles que receberam 12 mg, a perda média chegou a 22,5 quilos, correspondente a 20,8% do peso inicial.

Entre os participantes que começaram o estudo com IMC igual ou superior a 35, classificado como obesidade grau II ou obesidade severa, a dose de 12 mg levou a uma perda média de 27,5 quilos, ou 23,4% do peso corporal.

Outro dado chamou atenção: ao final da pesquisa, 59,5% dos participantes que receberam 12 mg já não preenchiam os critérios de IMC utilizados para classificação de obesidade.

Retatrutida também reduziu a glicemia

A perda de peso não foi o único resultado observado no estudo. A retatrutida também provocou redução da hemoglobina glicada (HbA1c), um dos principais exames utilizados para acompanhar o controle do diabetes.

Na dose de 4 mg, a redução média da HbA1c foi de 1,4 ponto percentual. Entre os participantes que receberam 9 mg, a queda chegou a 1,6 ponto percentual, enquanto a dose de 12 mg proporcionou redução média de 1,5 ponto percentual.

De acordo com os dados apresentados pela empresa, até 40% dos participantes chegaram a níveis de HbA1c considerados dentro da faixa normal.
Para Juan P. Frías, diretor médico e investigador principal do Los Angeles Institute for Metabolic Research, os resultados mostram o potencial de uma única terapia para atuar simultaneamente sobre obesidade e diabetes tipo 2.
“A grande maioria das pessoas com diabetes tipo 2 também vive com obesidade, e tratar as duas condições juntas sempre foi um desafio”, afirmou o pesquisador em comunicado.
Segundo ele, os resultados do estudo mostram reduções importantes tanto no peso quanto na glicemia.
O estudo também encontrou mudanças em alguns indicadores relacionados ao risco cardiovascular. Na maior dose analisada, de 12 mg, os participantes tiveram redução média de 39,5% nos triglicerídeos e de 19,6% no colesterol não HDL.
A pressão arterial sistólica caiu, em média, 10,8 mmHg. Também foram registradas redução média de 16,9 centímetros na circunferência da cintura e queda de 58,3% na proteína C-reativa de alta sensibilidade, marcador associado à inflamação.
Esses resultados, porém, fazem parte da avaliação clínica do medicamento e não significam que a retatrutida já esteja aprovada para prevenir eventos cardiovasculares.
Retatrutida x Mounjaro
A comparação com o Mounjaro chama atenção porque os dois medicamentos são desenvolvidos pela Eli Lilly, mas possuem mecanismos diferentes. Dados de fase 3 do Mounjaro em adultos com obesidade apontaram redução média de peso de 19,5% com a dose de 10 mg e de 20,9% com 15 mg.
Já a retatrutida, na dose de 12 mg, apresentou perda média de 20,8% no estudo TRIUMPH-2. Os resultados não devem, porém, ser interpretados como uma comparação direta entre os dois medicamentos, já que são estudos diferentes, com desenhos e populações que podem apresentar características distintas.
O que é a retatrutida?
A retatrutida pertence a uma nova geração de medicamentos que atuam em três vias metabólicas. Por isso, é chamada de agonista triplo. A molécula atua sobre os receptores de GLP-1, GIP e glucagon. O objetivo é combinar diferentes mecanismos relacionados ao controle da glicose, do apetite e do metabolismo energético.
Os medicamentos mais conhecidos atualmente seguem mecanismos diferentes. A semaglutida, presente em produtos como Ozempic e Wegovy, atua principalmente sobre o receptor de GLP-1.
A tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, atua sobre dois receptores: GLP-1 e GIP. A retatrutida acrescenta uma terceira via, a do glucagon. É justamente essa combinação que faz com que o medicamento seja considerado experimentalmente uma opção de nova geração no tratamento da obesidade e de doenças metabólicas.
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