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Atriz e ativista Susan Sarandon completa 80 anos e revela o que considera seu 'superpoder'
Atriz e ativista Susan Sarandon completa 80 anos e revela o que considera seu 'superpoder' · Imagem: Source: oglobo.globo.com

Ela também fala de novo filme lançado em Veneza, 'The echo chamber'

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Susan Sarandon chega aos 80 anos e revela o que aprendeu ao longo da carreira — Foto: Alan Jocard/AFP

Quando criança, Susan Sarandon costumava revezar as peças de roupa de suas bonecas só para garantir que nenhuma delas ficasse sempre com o melhor vestido. “Havia em mim uma necessidade de justiça bastante acentuada desde muito cedo. E isso passou a se manifestar mais intensamente na idade adulta, especialmente quando atingi uma posição que me permite estar em certos ambientes e atrair a atenção da imprensa”, conta a atriz nova-iorquina, que chega neste domingo aos 80 anos, explicando seu impulso a dar voz às causas que abraça, como o apoio ao povo palestino no conflito com Israel. No último dia 24 de setembro, a atriz foi detida em Nova York durante um protesto contra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. “Não me vejo como corajosa, mas como uma pequena lanterna”, diz.

Desde que começou a participar de manifestações em apoio à causa palestina, em 2023, a coestrela de “Thelma e Louise” (1991), marco do cinema feminista, foi dispensada da agência de talentos UTA, que a representava, e viu as ofertas de trabalho de grandes estúdios rarearem. “Para minha sorte, internacionalmente ainda sou bem-vinda”, diz Susan. Prova disso foi o convite do diretor Andrea Pallaoro, que a escalou para o drama “The echo chamber”. “Susan me inspira desde garoto, cresci encantado por ela. O seu magnetismo é enorme, e esse poder está mais forte do que nunca”, elogia o cineasta italiano, de 44 anos, que não mediu esforços para tê-la no elenco. “Estava fazendo a peça ‘Mary Page Marlowe’, em Londres, ano passado, e ele veio me visitar. Foi muito insistente. O roteiro me parecia ao mesmo tempo confuso e interessante, mas ele me fez sentir segura”, contou a atriz durante o Festival de Veneza, mês passado, onde o longa ganhou première mundial.

No filme, que terá pré-estreias brasileiras no Festival do Rio este mês, Sarandon interpreta Ava May, cantora famosa e reclusa que trabalha em um álbum de retorno com produtor musical (Luca Marinelli) com problemas de dependência química. “The echo chamber” é baseado no último roteiro escritor por Bernardo Bertolucci (1941-2018), realizador que a atriz conheceu à época em que namorava o diretor francês Louis Malle (1932-1995), que a dirigiu em “Menina bonita” (1978) e “Atlantic City” (1980). “Louis e Bertolucci estavam sempre juntos e aderiram ao boicote ao Festival de Cannes de 1968, em solidariedade à paralisação geral na França em maio daquele ano.”

“The echo chamber” era um projeto que a deixava desconfortável porque exigia que cantasse. “Quando li a primeira cena em que Ava May canta eu disse ‘não, não é para mim’ e comecei a fazer sugestões de outras pessoas que funcionariam melhor no papel, como Joni Mitchell. O Andrea mencionou (a cantora e atriz britânica) Marianne Faithful e lembrei de tê-la visto cantando um dueto muito engraçado com David Bowie, com quem filmei “Fome de viver” (1983). Você já viu? Meu Deus, é tão ruim (risos)... ‘As times goes by’ ... (imita-os cantando mal). Então eu pensei: é, eu consigo fazer isso”, contou a atriz, que diz preferir projetos que a assustam porque eles a deixam “acordada e atenta”: “Fiquei assustada quando eu e o Tim (Robbins, ator e diretor com quem foi casada por 23 anos) conseguimos os direitos de adaptação do livro “Os últimos passos de um homem” (1995), da freira Helen Prejean, que ainda estava viva quando a interpretei. Era uma responsabilidade. Também fiquei assustada quando vivi Edda Ciano, a filha mais velha de Mussolini na série de TV italiana “Mussolini e eu” (1985), e ela já havia morrido. Só tenho certeza do que não quero fazer.”

Uma delas é ficar calada diante de injustiças. Mas Sarandon diz que também é muito importante saber ouvir. “Não precisei dizer isso para a minha filha Eva (do relacionamento com o diretor italiano Franco Amurri). Mas quando os meus filhos John e Milles (com Tim Robbins) começaram a namorar, aconselhei: aprendam a cozinhar duas refeições e a ouvir”, lembra ela, que só se casou no papel uma única vez, com o ator Chris Sarandon. “Acredito que ouvir seja o meu superpoder.”

Em maio passado, o rosto de Susan e de Geena Davis, com quem divide a tela de “Thelma e Louise”, ilustravam o pôster do Festival de Cannes, em homenagem aos 25 anos do filme de Ridley Scott. Mas somente Davis foi colher as honras do tributo. “Esses eventos dão trabalho, demandam roupas de gala, essas coisas. Mas reencontrei Geena aqui em Veneza, e pudemos passar algum tempo juntos. Porque ela mora na Califórnia e eu nunca vou para lá, a não ser obrigada. Não digo isso de forma negativa... Mas acho que estou dizendo sim em forma negativa (risos)”, diz a atriz, encerrando o papo com uma piscadela.

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