O Batalhão de Precursores é uma organização militar do Exército Brasileiro, subordinada à Brigada de Infantaria Paraquedista, especializada em operações aeroterrestres, reconhecimento especializado e apoio ao emprego, prioritariamente, de tropas paraquedistas e aeromóveis. A unidade possui origem na antiga Companhia de Precursores Paraquedista, tradicional subunidade das tropas aeroterrestres brasileiras responsável pela execução de missões relacionadas ao reconhecimento e controle de zonas de lançamento e pouso, infiltração de pequenas frações, orientação de aeronaves, apoio à navegação aérea e coordenação de operações aeroterrestres. Os militares da unidade, formados no Curso de Precursor Paraquedista (C Prec Pqdt), para oficiais e sargentos, e no Curso de Cabo Auxiliar de Precursor (cabos e soldados), são especializados em missões de reconhecimento, vigilância, balizamento, navegação terrestre, comunicações e guiamento aéreo avançado, atuando frequentemente à frente das forças principais em operações de elevada mobilidade.
Organização O Batalhão de Precursores é subordinado à Brigada de Infantaria Paraquedista, sediada na cidade do Rio de Janeiro. As frações orgânicas do B Prec podem ser destacadas em proveito da Brigada de Infantaria Paraquedista ou de outras Grande Unidade (GU) / Grande Comando (G Cmdo), operando subordinadas diretamente ao escalão apoiado e revertendo, tão logo concluam a missão, ao comando de origem. A unidade é estruturada em elementos de comando, apoio e subunidades operacionais compostas por militares especializados formados no Curso de Precursor Paraquedista. Os Precursores Paraquedistas são militares especializados em operações de infiltração discreta atrás das linhas inimigas, podendo ser empregados por terra, ar ou água. Sua principal função é executar reconhecimentos avançados e preparar áreas de pouso para aeronaves e helicópteros, assegurando o desembarque seguro das forças aerotransportadas. O batalhão vem se destacando nas operações de Inteligência, Reconhecimento, Vigilância, e Aquisição de Alvos (IRVA) no contexto do Exército Brasileiro, possuindo o Destacamento de Reconhecimento e Vigilância (DRV) voltado especificamente para esse tipo de missão. Essa mudança doutrinaria, focando em operações de reconhecimento, é uma tendência moderna das tropas precursoras (pathfinders) pelo mundo. As subunidades operacionais do batalhão possuem capacidade de atuar de forma descentralizada em proveito das operações da Brigada de Infantaria Paraquedista, realizando o reconhecimento e operação de zonas de lançamento e pouso, apoio à navegação aérea, controle do desembarque de tropas e materiais, reconhecimento terrestre, levantamentos meteorológicos e missões de guia aéreo avançado.
História A história dos precursores paraquedistas no Exército Brasileiro teve início em 1948, quando o então primeiro tenente engenheiro Celso Nathan Guaraná de Barros foi enviado para Fort Benning, nos Estados Unidos, a fim de realizar o curso de Pathfinder do United States Army. Em 1951 foi formada a primeira turma de precursores no Brasil, constituída por quatro oficiais e três sargentos, dando início, de fato, às operações realizadas pelos "cardeais" no Brasil. Nesse mesmo ano, em 21 de fevereiro, foi criado o Pelotão de Precursores. Foi o primeiro curso de especialização combatente do Exército, contribuindo para a criação das Forças Especiais, em 1957, quando todos os alunos do 1.° Curso de Operações Especiais (atual Curso de Forças Especiais) eram precursores paraquedistas, na condição de instrutores alunos. Em 1954, elementos precursores participaram na busca de aeronave C-47, acidentada na região de Bom Jesus da Lapa (BA), também sendo os precursores, responsáveis por dar início a doutrina de busca e salvamento, o que permitiu a criação posterior do Esquadrão Aéreo de Salvamento da Força Aérea Brasileira. Em 1961, foi criado o Curso de Ações de Comandos (CAC), no Centro de Instrução Pára-quedista General Penha Brasil (CI Pqdt GPB), ano em que o Curso de Operações Especiais (C Op Esp), criado por instrutores Precursores Paraquedistas, passou a ser nomeado Curso de Forças Especiais (CFEsp), nome herdado até os dias de hoje. Em 1964, o CAC passou a ser pré-requisito para o C Prec Pqdt, juntamente com o Curso Básico Paraquedista (C Bas Pqdt) e do Curso de Mestre de Salto (CMS). Tal imposição, no entanto, afetou no número de voluntários aos cursos de Forças Especiais e Precursor Paraquedista, já que era obrigatório para ambos. Desse modo, em 1970, o CAC deixou de ser exigido para o C Prec Pqdt, sendo criado o Estágio Básico de Combate, destinado aos candidatos ao C Prec Pqdt não possuidores do CAC. Conhecido como "comandinhos" por ser uma compactação do currículo do CAC, o estágio tinha como objetivo selecionar os candidatos adequados para participarem do C Prec Pqdt. Com o passar dos anos, esse estágio foi incorporado ao C Prec Pqdt, como 1° fase, atualmente denominada "nivelamento técnico-operacional", destinada a nivelar conhecimentos dos alunos e capacitá-los a realizar infiltrações terrestres, aéreas e aquáticas em diversos ambientes operacionais do Brasil. Em 1969, o então Pelotão de Precursores foi elevado a Destacamento de Precursores. Em 20 de fevereiro de 1973, elementos do então Destacamento de Precursores foram enviados para Fort Bragg, Carolina do Norte, EUA, com o intuito de realizar treinamentos de Salto Livre Operacional (SLOp), comunicações, inteligência, armamento e saúde, junto às Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos. Em 1 de janeiro de 1988, o então Pelotão de Precursores tornou-se Companhia de Precursores Paraquedista (Cia Prec Pqdt). Em 2025, a Companhia de Precursores Paraquedista foi elevada à condição de batalhão, ampliando sua estrutura operacional e administrativa no âmbito da Brigada de Infantaria Paraquedista. Essa elevação, e a criação da 2° Companhia de Precursores na Brigada Aeromóvel, mostra um novo capítulo da especialidade dentro das Forças Armadas. Seguindo a tendência global de tropas Pathfinders, e também do intercâmbio realizado com o Combat Control Team (CCT) da Força Aérea dos Estados Unidos, em 2013, os Precursores passam a operar em proveito não apenas da Brigada de Infantaria Paraquedista, mas de diferentes escalões da Força Terrestre.
Galeria ==Referências==
Ligações externas «Tropa de Elite: Exército cria o Batalhão de Precursores Paraquedistas». Revista Sociedade Militar. Consultado em 30 de abril de 2026. Cópia arquivada em 18 de maio de 2026 Comando Militar do Leste. «Exército Brasileiro transforma tradicional unidade paraquedista em Batalhão de Precursores». Forte. Consultado em 30 de abril de 2026. Cópia arquivada em 17 de maio de 2026