A licocalcona A é um composto flavonoide do grupo das retrocalconas, isolado predominantemente das raízes de plantas do género Glycyrrhiza, como a Glycyrrhiza inflata e a Glycyrrhiza glabra (alcaçuz). Quimicamente, caracteriza-se por ser um fenol natural com uma estrutura central de cetona α,β-insaturada que liga dois anéis aromáticos, apresentando a fórmula molecular C21H22O4. A sua configuração estrutural confere-lhe uma elevada lipofilicidade, o que influencia a sua permeabilidade em membranas biológicas e a sua interação com diversos alvos celulares. No âmbito farmacológico, a licocalcona A destaca-se pela sua versatilidade biológica, exibindo propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes, antibacterianas e antitumorais. O seu mecanismo de ação antioxidante envolve a ativação da via Nrf2 e a regulação de enzimas como a oxigenase de heme 1 (HO-1), protegendo as células contra o stresse oxidativo e a geração de espécies reativas de oxigénio (ROS). Além disso, estudos indicam que este composto induz a apoptose e interrompe o ciclo celular em diversas linhagens de células cancerígenas, inibindo vias de sinalização críticas como a PI3K/Akt/mTOR e MAPK. Na indústria dermocosmética, a licocalcona A é amplamente utilizada em formulações para peles sensíveis, acneicas ou com rosácea, devido à sua capacidade de reduzir visivelmente a vermelhidão e acalmar irritações cutâneas. A sua eficácia na proteção contra danos induzidos por radiações UV e luz visível de alta energia (HEVIS) torna-a um ingrediente frequente em protetores solares e produtos de cuidado pós-solar. Adicionalmente, o composto tem demonstrado potencial no tratamento da hiperpigmentação ao inibir a síntese de melatonina, promovendo um tom de pele mais uniforme.
Referências

