Tomar vitaminas, minerais ou produtos para melhorar o desempenho nos treinos não é uma necessidade de todas as pessoas, nem significa um compromisso para o resto da vida. A indicação e a duração da suplementação dependem da alimentação, das condições de saúde e do motivo do uso, com acompanhamento para avaliar a necessidade.Segundo o endocrinologista Renato Zilli, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), uma pessoa saudável, com alimentação equilibrada e sem fatores de risco, muitas vezes não precisa suplementar nada.Quando há indicação, o uso pode ser temporário, até a correção de uma deficiência e o tratamento da causa. “O importante é não transformar uma indicação de alguns meses em um uso eterno por conta própria”, afirma o médico. Leia também SaúdeCreatina é destaque entre suplementos com mais evidências científicas SaúdeGeração mais jovem representa 65% do consumo de suplementos no Brasil SaúdeO que a ciência diz sobre os suplementos de NMN, NAD+ e resveratrol SaúdeSuplementos de vitamina D nem sempre ajudam a evitar quedas em idosos A avaliação começa pela alimentaçãoOs suplementos ajudam a complementar nutrientes que não estão sendo obtidos adequadamente pela alimentação. O tratamento de uma deficiência confirmada, como a de ferro ou vitamina B12, exige uma intervenção direcionada, com dose e duração definidas, explica Zilli.Para a nutricionista Adriana Fanaro, especialista em Nutrição Clínica e Esportiva em São Paulo, a escolha do produto deve vir depois da avaliação da alimentação, da rotina, dos medicamentos e do histórico de saúde. Exames laboratoriais podem ajudar, mas não são necessários em todas as situações.“O suplemento serve para completar o que falta, e só dá para saber o que falta depois de olhar o que a pessoa já come”, afirma.Em pessoas saudáveis, melhorar a quantidade e a variedade dos alimentos pode ser suficiente. Quem acredita precisar de whey protein, por exemplo, pode atingir a necessidade de proteína distribuindo ovos, feijão, carnes e laticínios ao longo do dia.A necessidade de suplementos depende da alimentação e das condições de saúde de cada pessoaQuando o uso pode durar mais tempoA suplementação pode ser necessária quando a alimentação não atende às necessidades, há uma demanda maior ou existe dificuldade para absorver nutrientes. A duração depende da permanência de cada condição. Entre as situações citadas pelos especialistas estão:Deficiência confirmada: o uso pode ser temporário, com reavaliação após o tratamento e a investigação da causa.Alimentação vegana: a vitamina B12 pode ser necessária, mas exige atenção e às vezes suplementação.Planejamento da gravidez e gestação: o ácido fólico pode ser indicado, com acompanhamento profissional.Cirurgia bariátrica: pode exigir suplementação contínua devido às mudanças na ingestão e na absorção de nutrientes.Idosos com pouco apetite: podem precisar de apoio para atingir as necessidades nutricionais.Mesmo no uso prolongado, doses e produtos precisam ser revistos. A indicação de manter um nutriente não significa que qualquer combinação de suplementos seja adequada.Quem pode orientar e prescrever suplementosEspecialistas em saúde podem indicar suplementos dentro das atribuições de cada profissão. O nutricionista, por exemplo, avalia a alimentação e as necessidades nutricionais, enquanto a investigação médica é fundamental diante de suspeita de doença, deficiência importante ou sintomas sem causa definida.Cansaço, queda de cabelo e dificuldade de concentração não bastam para justificar vitaminas por conta própria. As manifestações podem ter diferentes causas, e suplementar sem investigar pode atrasar o diagnóstico.Crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças renais ou hepáticas precisam de uma avaliação mais cuidadosa. Para quem tem doença renal, Fanaro destaca a necessidade de conversar com o médico antes de usar whey ou creatina, produtos que não são obrigatórios para quem pratica exercícios.Combinar suplementos sem orientação pode levar ao excesso de nutrientes e prejudicar a saúdeCombinar produtos pode levar ao excessoUsar um multivitamínico junto com fórmulas para cabelo, pele ou imunidade pode somar doses do mesmo nutriente sem que a pessoa perceba. O excesso de vitamina D pode elevar o cálcio no sangue e causar lesão renal, enquanto doses altas de vitamina B6 por muito tempo estão associadas a formigamento e dormência.Também há possíveis interferências com medicamentos e exames. Ferro e cálcio podem prejudicar a absorção de remédios, como a levotiroxina, e a biotina pode alterar resultados laboratoriais.Os especialistas recomendam levar à consulta a lista dos produtos utilizados e conferir ingredientes, quantidade por porção e advertências. A Anvisa orienta buscar um profissional de saúde, respeitar a dose e o tempo recomendados e comunicar efeitos inesperados. O acompanhamento permite decidir se o suplemento deve ser mantido, ajustado ou suspenso.










