A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou, nessa quarta-feira (30/9), que atuará para garantir o “livre deslocamento dos eleitores” no próximo domingo (4/10), dia do 1º turno das eleições no Brasil. A ação acontece quatro anos após o bloqueio de vias, no 2º turno em 2022, que tentou impedir que votantes chegassem às urnas, principalmente em cidades do Nordeste.À época, a PRF parou em blitze ao menos 619 ônibus que transportavam eleitores no Nordeste, onde Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve mais votos no 1º turno. A medida descumpriu ordem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proibia ações relacionadas ao transporte público de votantes.Conforme o órgão de segurança viária, a ação no dia das eleições deste ano ocorre também para “evitar imprevistos a quem vai votar”. O planejamento inclui viaturas em todas as rodovias federais do país para garantir a livre circulação.Pelas novas normas, a PRF não poderá realizar operações que dificultem o deslocamento dos eleitores, como bloqueios e retenções nas rodovias. Os policiais também não deverão parar motoristas apenas para verificar infrações de trânsito que não representem “risco concreto e iminente à vida ou à integridade física das pessoas”.As regras constam na Portaria Conjunta nº 4/2026, publicada no Diário Oficial da União (DOU), e foram reforçadas na nota da PRF dessa quarta. A medida vale para o 1º e para o 2º turno (4 e 25 de outubro).Em tempo realUma das principais estruturas para monitorar o livre tráfego, assim como ocorrências criminais e de trânsito, será na sede da PRF, em Brasília (DF). O local será disponibilizado à imprensa, para acompanhar o trabalho das instituições públicas em dia eleitoralAgentes federais também irão acompanhar a ação da PRF em tempo real, nos 26 estados e no DF, no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional (CICCN), coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Leia também BrasilApós bloqueios de 2022, PRF restringe fiscalização nos dias de eleição BrasilCondenado pelo STF, ex-diretor da PRF Silvinei Vasques é preso no Paraguai Manoela AlcântaraMoraes manda ex-diretor da PRF e mais 4 cumprirem pena por trama golpista Manoela AlcântaraMoraes mantém prisão preventiva de ex-diretor da PRF Silvinei Vasques A PRF terá restrições para fiscalizar, policiar e patrulhar rodovias federais durante os dias de votação das eleições de 2026. As abordagens e operações não poderão criar obstáculos ao deslocamento dos eleitores.Relembre bloqueio em 2022A medida ocorre quatro anos após a operação da PRF no segundo turno das eleições de 2022.Em 30 de outubro daquele ano, agentes abordaram 619 ônibus que transportavam eleitores, sendo 295 deles no Nordeste, região onde Lula havia obtido votação expressiva no primeiro turno.As abordagens contrariaram uma decisão do então presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, que havia proibido operações da PRF relacionadas ao transporte público de eleitores.O episódio integrou as investigações sobre o uso da estrutura da PRF para dificultar o deslocamento de eleitores no Nordeste.Em dezembro de 2025, o então diretor-geral da corporação, Silvinei Vasques, foi condenado pela Primeira Turma do STF a 24 anos e 6 meses de prisão no processo sobre a tentativa de golpe de Estado. Segundo a PGR, ele participou das ações para dificultar o voto de eleitores do Nordeste em 2022.







