Uma tentativa de golpe de Estado foi frustrada no Paquistão em 26 de setembro de 1995. Com o codinome Operação Khilafa e liderada por generais do exército paquistanês, a tentativa teria como objetivo derrubar o segundo governo de Benazir Bhutto e o chefe do exército, Abdul Waheed Kakar. Os principais perpetradores seriam ligados a círculos islamistas apoiados pelo exército, particularmente ao grupo armado Harkat-ul-Jihad-al-Islami. Alega-se que eles buscavam lançar uma operação militar para apoiar a insurgência em Jammu e Caxemira e estabelecer um regime religioso no Paquistão.
Contexto Após as eleições parlamentares antecipadas de 1993, o Partido Popular do Paquistão recuperou a maioria na Assembleia Nacional e sua líder, Benazir Bhutto, retornou ao cargo de primeira-ministra, que havia ocupado entre 1988 e 1990. O decênio (1988-1999) foi efetivamente marcado por instabilidade política desde o retorno à democracia. O país estava emergindo de quase onze anos de um regime militar e islamista dominado por Muhammad Zia-ul-Haq, o chefe do exército que havia liderado um golpe de Estado contra o primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto. Ciente da necessidade de boas relações com os militares, Benazir Bhutto não interfere em suas áreas de competência, particularmente na política externa e nas insurgências islamistas apoiadas pelo exército no Afeganistão e na Caxemira indiana. Ela chegou inclusive a apoiar essa política nomeando o General Nasrullah Babar como Ministro do Interior.
Tentativa de deposição de Bhutto Em 1995, um grupo de oficiais pressionou o exército paquistanês para forçar o Chefe do Exército, Abdul Waheed Kakar, a fornecer apoio militar total à insurgência em Jammu e Caxemira, arriscando um confronto com a Índia. Em 26 de setembro de 1995, o exército prendeu 42 oficiais acusados de planejar o assassinato de membros importantes do comando militar em 30 de setembro, durante uma reunião planejada no quartel-general do exército em Rawalpindi. Os golpistas pretendiam derrubar o governo de Benazir Bhutto e impor um novo regime militar. O objetivo também seria, supostamente, estabelecer um califado, já que os oficiais envolvidos haviam se associado a militantes islamistas como Qari Saifullah Akhtar, líder do grupo armado Harkat-ul-Jihad-al-Islami. O grupo dos supostos conspiradores era liderado, entre outros, pelo major-general Zahirul Islam Abbasi e pelo brigadeiro-general Mustansar Billah. No entanto, o caso só foi divulgado publicamente em 14 de outubro de 1995, por Benazir Bhutto, em uma coletiva de imprensa.
Consequências Os acusados são julgados pelo Field General Court Martial, um tribunal militar. Tendo concluído o inquérito em 31 de dezembro de 1995, o tribunal proferiu sua decisão em 30 de outubro de 1996. Zahirul Islam Abbasi foi condenado a sete anos de prisão e todos os seus bens foram confiscados, enquanto Mustansar Billah foi condenado a quatorze anos de prisão e os demais réus principais a penas de dois a quatro anos. Um recurso foi interposto junto à Suprema Corte em 1997, mas o tribunal declarou-se incompetente para julgar um recurso de um tribunal militar. Retomado em agosto de 2012, a Suprema Corte ainda se recusou a se pronunciar sobre o caso, sob o argumento de que os réus já haviam cumprido suas penas.
Nota Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em francês cujo título é «Tentative de coup d'État de 1995 au Pakistan».
Referências

