João Carlos Santos Lopes (Lisboa, 19 de março de 1960), conhecido como João Santos Lopes, é um dramaturgo, escritor, actor, encenador e sociólogo português. Venceu a primeira edição do Grande Prémio de Teatro Português da Sociedade Portuguesa de Autores/Novo Grupo com a peça Às vezes neva em Abril, em 1997.

Primeiros anos João Santos Lopes nasceu em Lisboa, a 19 de março de 1960, e cresceu em Alhandra, no Ribatejo. Fz uma aprendizagem de serralheiro, concluindo posteriormente o ensino secundário nocturno e ingressou na Universidade de Lisboa, primeiro em Filosofia e depois em Sociologia. A sua dissertação de mestrado incidiu sobre problemas de identidade de trabalhadores reformados precocemente. Entre 1999 e 2003, foi docente de Sociologia, com incidência no espaço urbano, na Universidade Lusófona. A sua ligação ao teatro iniciou-se no grupo de teatro amador de Alhandra, onde começou por participar como actor em papéis sem fala. Mais tarde, adaptou para o grupo a peça Les jeux sont faits, de Jean-Paul Sartre, e manteve-se ligado ao teatro amador como actor, encenador e dramaturgo.

Dramaturgia A obra dramatúrgica de João Santos Lopes inclui peças como Às vezes neva em Abril, Mal me queres, Histrionia («on the road» em tempo de trégua), Still Life (Natureza morta), Insónia, Ordem, Riscos no pó da estrada junto ao embondeiro, A noite despe-se no escuro e 605 Forte ou De la «Mort-aux-rats». A sua peça mais conhecida, Às vezes neva em Abril, venceu em 1997 o Grande Prémio de Teatro Português da Sociedade Portuguesa de Autores/Novo Grupo, na primeira edição do prémio. A obra foi publicada em 1998 pela Sociedade Portuguesa de Autores/Publicações Dom Quixote, na Colecção de Teatro da Sociedade Portuguesa de Autores, e inclui considerações do júri do prémio, com textos de Luiz Francisco Rebello, Fernando Dacosta, João Lourenço, Vera San Payo de Lemos e João Carneiro. A peça estreou-se no Teatro Aberto, em Lisboa, em 1 de maio de 1998, com encenação de João Lourenço, dramaturgia de Vera San Payo de Lemos, cenário de António Casimiro e João Lourenço, figurinos de Maria Gonzaga e interpretação de Catarina Matos, José Jorge Duarte, Paulo Oom, Pedro Mourinho, Pedro Laginha, Philippe Leroux e Ricardo Afonso. A obra foi traduzida para alemão, francês e polaco. Segundo a Alexander Verlag, a tradução alemã, Manchmal schneit es im April, teve leituras cénicas no Stadttheater Trier, em 2002, e no Théâtre National du Luxembourg, em 2003, e sendo apresentada em 2014 por um grupo de teatro universitário de Trier numa iniciativa sobre os quarenta anos da Revolução de 25 de Abril de 1974. O DramaOnline regista ainda as traduções Czasami śnieg pada w kwietniu, Parfois il neige en avril e Station Terminus.

Recepção crítica Às vezes neva em Abril tem sido estudada no contexto da representação da Guerra Colonial Portuguesa no teatro português. A investigadora Vera San Payo de Lemos incluiu a peça entre obras de “grande fôlego dramático” sobre a memória da guerra colonial, ao lado de textos de Fernando Dacosta e Mário de Carvalho, assinalando que a acção decorre em Portugal, após o regresso de África, e se centra nas consequências sociais, espirituais e morais da experiência traumática da guerra.

Prémios e distinções 1997 — Grande Prémio de Teatro Sociedade Portuguesa de Autores/Novo Grupo, por Às vezes neva em Abril. 2000 — 2.o Prémio do Concurso INATEL/Teatro — Novos Textos, por Mal me queres. 2001 — 2.o Prémio do Concurso INATEL/Teatro — Novos Textos, por Histrionia («on the road» em tempo de trégua). 2002 — 1.o Prémio do Concurso INATEL/Teatro — Novos Textos, por Still Life (Natureza morta). 2005 — Grande Prémio do Concurso INATEL/Teatro — Novos Textos, por Insónia. 2009 — Prémio do Concurso INATEL/Teatro — Novos Textos, por Ordem. 2017 — 1.o Prémio do Concurso INATEL/Teatro — Novos Textos, por A noite despe-se no escuro.

Obras seleccionadas Às vezes neva em Abril, 1998 Mal me queres, 2001 Histrionia («on the road» em tempo de trégua), 2002 Still Life (Natureza morta), 2002 Insónia, 2005 Ordem, 2009 Riscos no pó da estrada junto ao embondeiro, 2011 A noite despe-se no escuro, 2017

Ligações externas «João Santos Lopes» no DramaOnline «João Santos Lopes» na Alexander Verlag Berlin

Referências