O Poco X8 oferece uma experiência confortável para quem passa horas no celular, sem exigir recargas recorrentes. Contudo, o conjunto não é equilibrado em todas as áreas: o processador é intermediário, a câmera perde qualidade em ambientes escuros e a gravação de vídeo é limitada. Esse é um aparelho que faz mais sentido para quem prioriza bateria, consumo de conteúdo e uso cotidiano do que para quem procura desempenho de ponta ou versatilidade fotográfica. O Poco X8 é interessante justamente porque sabe onde investir, mas suas limitações precisam ser consideradas antes da compra. Prós e contras Notas do Poco X8 Para quem o Poco X8 é indicado? O Poco X8 é indicado para quem quer um celular para passar o dia nas redes sociais, assistir a vídeos, navegar na internet, usar aplicativos de trabalho e jogar casualmente, sem ficar procurando uma tomada . A combinação de tela grande, taxa de atualização de 120 Hz e bateria generosa atende especialmente bem a esse perfil. Também pode ser uma boa opção para quem trabalha ou viaja bastante e valoriza a resistência do aparelho. As certificações de proteção IP68 e IP69K contra água e poeira são um diferencial relevante nessa faixa de mercado. Isso não significa que o celular seja indestrutível, mas amplia a tranquilidade no uso cotidiano. Por outro lado, não é a melhor escolha para quem quer jogar títulos pesados com gráficos elevados, fotografar à noite ou produzir vídeos para redes sociais com qualidade mais avançada . Nesses casos, vale comparar modelos que priorizem processador e câmeras. Quanto vale a pena pagar pelo Poco X8? A Xiaomi ainda não divulgou os preços oficiais do Poco X8 no mercado brasileiro, mas os valores praticados no varejo (via importação) variam de R$ 2.100 e R$ 2.600. Por isso, vamos usar esses números como referência. Por até R$ 2.100, pode-se dizer que é um preço justo pelo conjunto. Contudo, é bem improvável que a Xiaomi lance o Poco X8 por esse valor no Brasil; em uma hipótese realista, o celular vai chegar por R$ 3.500 ou até ultrapassar a casa dos R$ 4.000. O modelo claramente não compete com celulares premium, então não faz sentido pagar um preço alto por ele . Por pouco mais de R$ 2.000, o valor pago será muito mais condizente com a experiência que o aparelho entrega. Design e construção: resistente, mas grande O Poco X8 adota um visual industrial, com traseira dividida em texturas e elementos que dão personalidade ao aparelho. As cores disponíveis incluem branco, preto e laranja. Apesar do acabamento ser predominantemente plástico, o celular é bem estiloso (especialmente a versão laranja). O tamanho não passa despercebido. São cerca de 223 gramas e 8,6 mm de espessura , com uma tela de 6,83 polegadas. As laterais curvas ajudam na pegada, mas o uso com uma mão pode ser desconfortável para quem tem mãos pequenas . A resistência à água e à poeira é outro ponto positivo. As certificações IP68 e IP69K garantem resistência adicional, mas isso não deve ser interpretado como autorização irrestrita para mergulhar com o aparelho. A resistência depende das condições previstas para cada certificação e pode diminuir com o desgaste. Tela AMOLED de 120 Hz é o grande destaque A tela é uma das melhores características do Poco X8. O painel AMOLED de 6,83 polegadas tem resolução 1,5K, taxa de atualização de 120 Hz e cores vibrantes com contraste elevado . A combinação favorece filmes, séries, redes sociais e leitura, além de deixar animações e rolagens mais suaves do que em telas convencionais de 60 Hz. O brilho também permite usar o celular ao ar livre com boa visibilidade. Foi possível consultar a tela sob luz solar sem precisar protegê-la com as mãos, mas há uma ressalva para pessoas sensíveis à cintilação da tela. A cintilação pode provocar cansaço visual ou dor de cabeça em alguns usuários durante sessões prolongadas. A sensibilidade varia de pessoa para pessoa, mas é um aspecto que merece atenção se você costuma sentir desconforto com telas OLED . Desempenho: bom para o dia a dia, limitado para jogos pesados O Snapdragon 6s Gen 4 é suficiente para navegar, conversar, assistir a vídeos e alternar entre aplicativos comuns. A experiência cotidiana é bem fluida e o aparelho consegue executar jogos simples , embora apresente quedas de quadros em situações mais exigentes. No geral, o desempenho é modesto, com pequenas travadas em tarefas mais pesadas e resultados que não representam um avanço claro sobre o antecessor. Na prática, o Poco X8 não deve ser comprado como um celular gamer . Jogos competitivos podem funcionar de maneira aceitável com ajustes gráficos, mas quem quer taxas de quadros estáveis e qualidade visual elevada deve procurar um modelo com processador mais potente. A vantagem é que o aparelho não precisa de potência de topo para cumprir sua proposta principal. Para tarefas cotidianas, a combinação de tela fluida, bateria grande e desempenho suficiente pode ser mais relevante do que números elevados em benchmarks. Câmeras: boas durante o dia, fracas à noite A câmera principal de 50 MP com estabilização óptica é capaz de produzir fotos satisfatórias quando há boa iluminação. As cores são agradáveis, com detalhes suficientes para compartilhar imagens nas redes sociais e resultados razoáveis em retratos. À noite, porém, a qualidade cai. Podemos observar ruído, perda de detalhes, cores menos consistentes e dificuldade para equilibrar áreas claras e escuras . A estabilização óptica ajuda a reduzir tremores, mas não transforma o sensor em uma solução avançada para fotografia noturna. Outro corte importante é a ausência de uma câmera ultra-angular . O sensor secundário de 2 MP serve para captar informações de profundidade, não para fotografar cenas amplas. Isso reduz a versatilidade do conjunto, especialmente em paisagens, arquitetura e fotos de grupos em espaços apertados. A câmera frontal de 16 MP é suficiente para selfies, mas os resultados variam conforme a iluminação. Por vezes, é comum observar uma tonalidade avermelhada em alguns rostos, além de alterações de cor sob luz artificial. Bateria e carregamento: o melhor motivo para comprar A bateria é o maior trunfo do Poco X8 , trazendo 8.340 mAh e uma autonomia acima da média . Em nosso teste padronizado com quatro horas de reprodução de vídeo em alta definição e brilho máximo, o celular gastou apenas 15% de bateria . Seguindo a lógica, ele levaria cerca de 26 horas para zerar a carga em reprodução contínua. Já em uso normal, a bateria facilmente aguenta dois dias longe da tomada . O carregamento de 67 W ajuda a reduzir o tempo na tomada. O celular vai de zero a 100% em pouco mais de uma hora, resultado que torna a bateria grande menos inconveniente quando chega a hora de abastecê-la. O aparelho também oferece carregamento reverso com fio, permitindo fornecer energia a outros dispositivos compatíveis. Para quem usa o celular intensamente e não quer carregar uma bateria externa, essa autonomia pode ser decisiva . É também a característica que mais diferencia o Poco X8 de aparelhos que oferecem desempenho ou câmeras melhores, mas exigem recargas mais frequentes. HyperOS: recursos úteis, mas aplicativos demais O Poco X8 chega com Android 16 e HyperOS 3 . A interface oferece personalização de temas, telas de bloqueio e outros elementos visuais, além de recursos para acompanhar atividades e conteúdos sem precisar abrir alguns aplicativos. O ponto negativo é a quantidade de aplicativos e jogos pré-instalados , exigindo algum tempo para remover o que não interessa e ajustar notificações. A experiência fica mais limpa depois dessa configuração inicial, mas seria melhor se o aparelho viesse menos carregado de fábrica. A política de suporte é de quatro grandes atualizações do Android, além de seis anos de patches de segurança em suas avaliações. Esse é um número baixo, se comparado com a concorrência, mas garante um celular atualizado até 2032 . O Poco X8 vale a pena? Sim, o Poco X8 vale a pena para quem prioriza autonomia, tela e resistência, desde que o preço seja competitivo. A bateria de grande capacidade e a tela AMOLED de 120 Hz formam um conjunto muito atraente para uso cotidiano, entretenimento e viagens. O carregamento de 67 W completa uma proposta que reduz a preocupação com tomadas. As concessões são claras: o processador não é voltado a jogos pesados, a câmera perde qualidade em baixa luz e o vídeo limitado a 1080p a 30 fps deixa o aparelho atrás de concorrentes mais versáteis . O excesso de aplicativos pré-instalados e as limitações de conectividade também pesam na experiência. O veredito é direto: o Poco X8 é um celular intermediário competente para quem quer passar mais tempo longe do carregador, com uma tela de qualidade e construção resistente. Se bateria e tela são suas prioridades, ele merece entrar na lista. Se câmera e desempenho são mais importantes, vale procurar outra opção.












